{"id":812,"date":"2016-06-30T10:54:06","date_gmt":"2016-06-30T15:54:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/?page_id=812"},"modified":"2016-07-01T18:15:35","modified_gmt":"2016-07-01T23:15:35","slug":"chave-da-vida","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/chave-da-vida\/","title":{"rendered":"A Chave da Vida"},"content":{"rendered":"<p>Anos atr\u00e1s, um estudante no in\u00edcio de seu curso de gradua\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica, com o qual eu interagia, na condi\u00e7\u00e3o de seu professor de f\u00edsica, me trouxe um livro de matem\u00e1tica \u2013 daqueles que os f\u00edsicos geralmente n\u00e3o usam \u2013 e disse: \u201cprofessor, esse \u00e9 um livro muito bom; vou deixar aqui para o senhor dar uma olhada, mas tenha cuidado! \u201d Como assim?! \u2013 <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-820\" src=\"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Showing-Book-1.jpg\" alt=\"Key of Life - Showing Book\" width=\"178\" height=\"120\" \/>Pensei. Ou seja, como \u00e9 que um estudante de gradua\u00e7\u00e3o, no primeiro per\u00edodo de seu curso, tem a ousadia de dizer a um professor com doutorado que tenha cuidado na leitura de um livro? Perguntei o que ele queria dizer com \u201ctenha cuidado\u201d, buscando disfar\u00e7ar minha irrita\u00e7\u00e3o, e <a id=\"Read-More\"><\/a>imaginando que ele estava tentando estabelecer comigo alguma rela\u00e7\u00e3o de poder. Ele pareceu constrangido, e desconversou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aquilo mexeu muito comigo. Por um longo tempo, houve uma luta interna entre o desejo de humilhar o estudante (apesar de uma parte de mim reprovar essa atitude) e o desejo de compreender o que realmente estava acontecendo internamente, em minha alma \u2013 independentemente de qu\u00e3o errado aquele aluno pudesse estar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Talvez ele nem tenha tido a inten\u00e7\u00e3o de me diminuir. Talvez tenha apenas enxergado uma oportunidade de me impressionar, ou, quem sabe, tenha sinceramente desejado me alertar para um cuidado necess\u00e1rio \u2013 mesmo que sem muito tato. Pode ter acontecido tudo isso junto, j\u00e1 que, em cada ser humano, diversas vozes frequentemente se manifestam simultaneamente. Mas nada disso ocuparia tanto minha aten\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o teria reagido t\u00e3o negativamente, se n\u00e3o houvesse uma negatividade correspondente em mim. Olhar para isso, tentar entender e, ent\u00e3o, transformar essa negatividade, ao inv\u00e9s de gastar tanta energia com racionaliza\u00e7\u00f5es in\u00fateis, no desejo v\u00e3o de mostrar \u201ccomo eu tenho raz\u00e3o de estar chateado com ele\u201d, \u00e9 usar o que o Guia do Pathwork chama de \u201cchave da vida\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Procure compreender: pouco importa se o erro do estudante para comigo foi real ou imaginado, ou se foi exagerado; o que realmente importa \u00e9 a forma como reagi. Nesse sentido, em vez daquele evento ter sido algo ruim, foi, na verdade, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, porque me possibilitou dar mais alguns passos na dire\u00e7\u00e3o da verdade, do amor, da vida \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis sem o autoconhecimento. \u00a0Usar a chave da vida \u2013 seja num conflito entre pessoas ou entre na\u00e7\u00f5es \u2013 \u00e9 olhar para nosso pr\u00f3prio <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-818\" src=\"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Dispute-1.jpg\" alt=\"Key of Life - Dispute\" width=\"130\" height=\"125\" srcset=\"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Dispute-1.jpg 432w, https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Dispute-1-300x289.jpg 300w, https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Dispute-1-250x241.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 130px) 100vw, 130px\" \/>envolvimento no conflito, buscando compreender de que forma estamos negativamente ligados \u00e0 contenda, e buscando transformar essa negatividade. Pode ser que o outro tenha agido mal para conosco, e temos o direito e o dever de defender nossa integridade. Usar a chave da vida de forma alguma significa permitir que nos explorem, que nos machuquem; significa que n\u00e3o devemos esconder de n\u00f3s mesmos a forma negativa de nosso envolvimento naquele problema, porque \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil, t\u00e3o tentador responsabilizar os outros por nossas mazelas. Usar a chave da vida significa que devemos buscar a verdade em cada situa\u00e7\u00e3o \u2013 e, em um conflito, a verdade nunca envolve apenas uma das partes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s muito refletir sobre por que as palavras daquele estudante tanto me machucaram \u2013 numa luta constante para evitar autoenganos \u2013, percebi o \u00f3bvio: eu estava com o orgulho ferido, pois vinha tentando passar para ele a figura de um professor excepcional, e como um professor excepcional poderia ser advertido por um estudante quanto aos cuidados necess\u00e1rios \u00e0 leitura de um livro? Eu sabia que era um bom professor, mas tamb\u00e9m sabia que n\u00e3o era t\u00e3o bom quanto pretendia, e eu precisava da ajuda daquele e de outros estudantes para me manter num status de excel\u00eancia ilus\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mergulhando mais fundo no problema, descobri outros elementos. Descobri que minha irrita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tinha como origem a trai\u00e7\u00e3o de minha pr\u00f3pria integridade. V\u00e1rias vezes n\u00e3o fui fiel aos meus valores, em busca de admira\u00e7\u00e3o, de aceita\u00e7\u00e3o. Quando, mesmo de forma sutil, tra\u00edmos nossa integridade na expectativa de que algu\u00e9m nos d\u00ea algo, se n\u00e3o recebemos o que esperamos nos enfurecemos \u2013 n\u00e3o tanto por n\u00e3o termos conseguido o que pretend\u00edamos (que, de qualquer forma, n\u00e3o nos preencheria), mas por n\u00e3o termos sido fi\u00e9is ao que h\u00e1 de melhor em n\u00f3s e, no fim, termos ficado sem nada. \u00c9 como se grit\u00e1ssemos: eu tra\u00ed o que h\u00e1 de melhor em mim para receber sua admira\u00e7\u00e3o (ou o que for), e voc\u00ea n\u00e3o me admira?!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mergulhando um pouco mais no problema, descobri que eu estava<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-819\" src=\"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Negative-Pleasure-1.jpg\" alt=\"Key of Life - Negative Pleasure\" width=\"140\" height=\"116\" srcset=\"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Negative-Pleasure-1.jpg 385w, https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Negative-Pleasure-1-300x248.jpg 300w, https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Key-of-Life-Negative-Pleasure-1-250x206.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/> extraindo prazer negativo revivendo mental e emocionalmente a situa\u00e7\u00e3o, imaginando o que eu poderia ter dito para que o estudante \u201cse colocasse em seu devido lugar\u201d. Esse prazer negativo tornava ainda mais dif\u00edcil buscar a verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apenas com persist\u00eancia no uso da chave da vida pude gradativamente dissipar todas as n\u00e9voas que me impediam de ver a verdade naquela situa\u00e7\u00e3o. Meu desafio \u00e9 continuar buscando fazer uso dessa chave, nas diversas situa\u00e7\u00f5es da vida \u2013 n\u00e3o importa quantas vezes eu falhe \u2013 at\u00e9 que, um dia, as portas se abram como que por si mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Paulo Peixoto<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Colaborador do PWOL<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Julho de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anos atr\u00e1s, um estudante no in\u00edcio de seu curso de gradua\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica, com o qual eu interagia, na condi\u00e7\u00e3o de seu professor de f\u00edsica, me trouxe um livro de matem\u00e1tica \u2013 daqueles que os f\u00edsicos geralmente n\u00e3o usam \u2013 e disse: \u201cprofessor, esse \u00e9 um livro muito bom; vou deixar aqui para o senhor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_crdt_document":"","_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"class_list":["post-812","page","type-page","status-publish","hentry"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-thumbnail":false,"blog-thumbnail":false,"sidebar-thumbnail":false,"post_thumbnail":false},"uagb_author_info":{"display_name":"PWOL-pt Admin","author_link":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/author\/pwol-pt-admin\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Anos atr\u00e1s, um estudante no in\u00edcio de seu curso de gradua\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica, com o qual eu interagia, na condi\u00e7\u00e3o de seu professor de f\u00edsica, me trouxe um livro de matem\u00e1tica \u2013 daqueles que os f\u00edsicos geralmente n\u00e3o usam \u2013 e disse: \u201cprofessor, esse \u00e9 um livro muito bom; vou deixar aqui para o senhor&hellip;","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P5CmYg-d6","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=812"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":824,"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/812\/revisions\/824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pwol.ca\/pwol-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}